Pesquisa
Acesso
Login:
Senha:
A POESIA DO ENCONTRO - I
Entrevistado: RUBEM ALVES





Como foi conhecer e fazer esse livro com Elisa Lucinda?
Rubem Alves: Isso foi idéia do Gilberto Dimenstein, baseado na experiência que tivemos com o livro Fomos maus alunos (Papirus, 2003), quando sentamos os dois e começamos a conversar. Foi exatamente essa a idéia. A experiência foi muito interessante porque a Elisa em poesia é um vulcão, de modo que, quando ela começa a falar, ela tem uma riqueza interior tão grande que não dá para fazer ela parar. Eu deixei a Elisa falar a maior parte do tempo, e ela tem um material riquíssimo, de modo de que o livro vale mais pelo que Elisa falou do que pela minha contribuição.

Quais foram os assuntos mais marcantes que vocês dois discutiram ao preparar essa obra?
Rubem Alves: O assunto marcante foi poesia, como se lê, e a Elisa é uma mestra na arte de ler poesia, porque a poesia só existe quando é falada, quando é feito música. A nona sinfonia existe no papel, mas enquanto existe no papel ela não existe, só quando é tocada por orquestra. Com a poesia é a mesma coisa, ela precisa ser declamada, e ler poesia é uma arte que poucas pessoas têm. Paulo Autran tinha essa arte, Elisa tem essa arte. As pessoas que lêem poesia sabem "juntar letra", mas o texto poético tem uma palavra e uma música, você só pode entender ouvindo, assim como Beethoven, então a Elisa é uma artista que executa a poesia. Quando ela executa, quando ela fala poesia, a poesia fica viva, e é uma experiência muito bonita.

Qual é a importância da poesia na vida de Rubem Alves?
Rubem Alves: Eu não sei como responder essa pergunta. O que eu sei é que há determinados textos poéticos que, quando eu os leio, alguma coisa acontece comigo. É como se aqueles textos tivessem conseguido dizer uma coisa que eu gostaria de dizer, mas não sabia dizer. O poeta é uma pessoa que consegue dizer a minha verdade, que está dentro de mim. É como se a poesia pusesse a minha alma em música e palavras.

Qual é, em sua opinião, a importância da poesia para a humanidade?
Rubem Alves: Esse negócio de humanidade, eu lidava quando era jovem, agora só consigo lidar com meu quintal. Eu não sei o que fazer com a humanidade, é muita coisa, é briga no Iraque, Talibã, Bush... A humanidade é uma coisa muito grande, eu não sei o que é isso. Eu não sei o que é humanidade.

.