Pesquisa
Acesso
Login:
Senha:

Newsletter

DIÁLOGOS SOBRE A AFETIVIDADE

"Aluno decepa dedo de professora de escola pública."
"Jovens de classe alta espancam empregada doméstica em ponto de ônibus. Um deles se justifica afirmando que pensou ser uma prostituta."
"Aluno põe fogo em cabelo de professora."
"Jovens ateiam fogo em índio."

Dizem que todo pai ou professor tem dúvidas a respeito de como educar suas crianças e adolescentes. Com as manchetes dos dias de hoje então, as dúvidas passam a ser angústia. É para dar respostas a algumas dessas questões e ajudar educadores e pais a saírem dessa agonia que Ivan Capelatto lança Diálogos sobre a afetividade.

Essa é a segunda edição do livro – que foi elaborado com base em um programa de rádio, no qual o autor dialogava com ouvintes que queriam solucionar problemas do dia-a-dia relacionados à educação de seus filhos e alunos. "Essa edição está com algumas modificações, pois o conteúdo das perguntas não mudou desde o ano 2000, quando foi lançada a primeira, mas a intensidade da angústia contida nas perguntas sim. Em 2000, as questões eram mais à busca de ciência, de resposta dirigida, e, hoje, esse o que fazer vem acompanhado de um desespero maior, de uma impotência mais severa", conta Capelatto.

No livro, o autor fala sobre temas como os cuidados específicos para cada faixa etária, o estabelecimento de limites e a fronteira entre autoridade e autoritarismo. No trecho sobre limites e cuidados, Capelatto cita o episódio do estudante de medicina que atirou em pessoas que estavam em um cinema de São Paulo, e, em entrevista, o compara com os jovens do Rio de Janeiro que espancaram a doméstica Sirley Dias sem motivo algum.

"Vamos entender que fizeram e repetiram o gesto cruel dos adolescentes que sacrificaram Galdino, o índio confundido com um mendigo!! Repetiram a inconseqüência do ato do menino-médico que mata desconhecidos no cinema e repetiram o que faz, hora-a-hora, neste país, nas escolas, o bullying, nas ruas, o assédio moral, na internet, o assédio sexual, a pornografia infantil. É ao mesmo tempo a ausência da lucidez, da responsabilidade pelo outro, e um pedido de socorro pela falta de cuidados, da ausência do limite tão necessário. É responsabilidade da família, mas esses rapazes já devem ter dado sinal de problemas na escola, no prédio em que moram. E o que foi feito por eles? Qual ajuda receberam anteriormente? O encobrimento de suas próprias angústias?", questiona o autor.

"Estamos vendo, numa rapidez impressionante em relação ao século passado, o aumento de sintomas psicopáticos: drogas, violência contra si mesmo e contra os outros, mentira, compulsões", afirma Capelatto, que já foi professor de Psicopatologia Infantil na PUC-Campinas e de Psicoterapia Breve Familiar na Milton Erickson Foundation Inc. (Arizona).

A obra não tem pretensão de ser um guia científico e seu formato, considerando o contexto de perguntas e respostas, ao vivo, no rádio, faz com que determinados temas tenham textos concisos. No entanto, Diálogos sobre a afetividade cumpre seu objetivo com louvor: o de servir de estímulo para a reflexão sobre a afetividade e as relações familiares, fator essencial de nosso bem-estar no mundo.

.