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A CRIANÇA TERCEIRIZADA

No mundo contemporâneo, boa parte das crianças fica sozinha ou aos cuidados de terceiros enquanto os pais correm atrás de trabalho, de dinheiro, do pão de cada dia. A dedicação de pais e mães ao trabalho significa menos tempo em casa com as crianças, com a família. Na prática, esse abandono traz conseqüências e faz surgir a figura da "criança terceirizada".

As causas e conseqüências dessa "terceirização" estão no mais novo livro do pediatra José Martins Filho, A criança terceirizada: Os descaminhos das relações familiares no mundo contemporâneo, lançamento da Papirus Editora.

Médico renomado e sinônimo de bons cuidados com crianças em todo o país, Martins Filho já foi reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ganhou o prêmio Jabuti de 1996 com a obra Lidando com crianças, conversando com seus pais, também publicada pela Papirus.

Nesse novo e instigante livro, o pediatra se aprofunda em um assunto que, ao contrário do que muitos pensam, não é um fenômeno típico dos dias atuais.

"É chocante, mas na história da humanidade, isso não é novidade. A criança sempre foi tratada como algo descartável", diz Martins Filho, que dedica um capítulo inteiro da obra à evolução da situação infantil, desde a época dos gregos e romanos até o momento atual.

"Entre os romanos, por exemplo, os pais tinham total direito sobre a vida e a morte das crianças, e o abandono e até o infanticídio eram situações comuns", conta.

Sobre a atual "terceirização" - fenômeno em que os pais, por mais que amem seus filhos, acabam transferindo seus papéis fundamentais de educadores, alimentadores, cuidadores para outras pessoas -, Martins Filho afirma que não quer julgar ninguém, apenas alertar para as conseqüências do ato de deixar um filho ser cuidado por terceiros.

"Alerto para um problema que está me angustiando como pediatra, avô e ser humano", ressalta. E acrescenta: "Cada vez que percebo a angústia da mãe que precisa sair de casa, todos os dias, em busca de recursos para manter o lar, para ajudar o marido ou até porque não suporta ficar em casa o dia inteiro e acha fundamental estar fora para se sentir útil, fico pensando: será que as pessoas não se dão conta de que o tempo está passando e nunca mais vai voltar?"

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