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AVALIAÇÃO HOJE: A MESMA DO IMPÉRIO?


Em um ano em que muito se fala sobre a chegada de D. João VI ao Brasil, um olhar sobre como eram as avaliações de matemática na época do Império é revelador, pois mostra não só os erros cometidos no passado, mas o fato de que eles continuam ocorrendo no presente.

"No Brasil temos uma tradição de ignorar ou simplesmente falar mal do que aconteceu em épocas anteriores", diz Wagner Valente, organizador e um dos autores do livro Avaliação em matemática: História e perspectivas atuais, lançado pela Papirus Editora.

No Brasil, a primeira discussão que se fez sobre avaliações educacionais envolveu somente o ensino de 3º grau. "Como a primeira discussão foi sobre universidade, era preciso decidir quem entraria nos cursos. Então apareceu o vestibular, antes mesmo de termos colégios de segundo grau. E nesses exames de admissão a matemática, inicialmente por meio da geometria, tinha um peso fundamental", conta.

Tudo isso ocorreu em 1827, mas o regime de cursos preparatórios duraria mais um século. Colocada essa perspectiva histórica, alguns fatos da atualidade podem ser avaliados de uma ótica mais realista. Assim, no livro, Valente e mais quatro autores apontam a necessidade de se repensar forma e conteúdo da avaliação de matemática e fazem uma crítica às avaliações governamentais, como o Provão.

É notória a existência de faculdades que, durante as semanas que antecedem o exame, suspendem aulas e provas para promoverem cursos preparatórios visando a boas avaliações no exame. "Exatamente como no Império, quando havia os cursinhos de prepararação para o exame admissional: abandona-se a criatividade, a discussão, e tudo vira adestramento. É preciso qualificar o professor, investir na formação dele em vez de investir nos aparatos de exame."

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