Pesquisa
Acesso
Login:
Senha:

Newsletter

Não faz isso, garoto!

Como e quando estabelecer limites aos filhos? Em Cuidado, afeto e limites: Uma combinação possível, Ivan Capelatto e José Martins Filho debatem o tema e mostram que a sociedade atingiu um grau de violência insuportável porque os pais não assumem seu papel de educadores


Garotos de classe média alta espancam doméstica. Jovem manda sequestrar a própria irmã de cinco anos. Notícias como essas geram dúvidas e mais dúvidas: ser amigo ou ser pai? Como dar limites e possibilitar que a criança tenha liberdade? Como falar com os filhos sobre drogas e sexo? Quando é hora de os filhos saírem de casa? Criar filhos hoje em dia não é fácil, principalmente se os pais possuem jornadas duplas ou triplas. Nessa hora, o melhor é poder contar com a ajuda de profissionais com anos de experiência. A Papirus Editora faz a sua parte: reúne em Cuidado, afeto e limites: Uma combinação possível o psicólogo clínico Ivan Capelatto e o pediatra José Martins Filho, dois importantes nomes quando o assunto é educação de crianças e adolescentes.

Logo no início do livro, ambos defendem a ideia de que a cultura atual não fornece a referência do que é ser pai e mãe ou de quem é a responsabilidade do cuidado com a criança e o adolescente. "A visão sobre o conjunto de variáveis que interessam ao desenvolvimento infantil é tão complexa e importante que assusta as pessoas, pois elas começam a perceber qual é a responsabilidade de ter um filho no dia de hoje e qual o seu grau de participação nisso. E se atualmente esta nossa sociedade atingiu um grau de violência insuportável é porque, em minha opinião, nos últimos 50 anos, não assumimos a parte que nos cabe", acredita Martins Filho.

Para ele, a permissividade, a falta de limites e de responsabilidade, somadas à terceirização dos cuidados, afetam o desenvolvimento não apenas do indivíduo, mas da própria sociedade. "Em outras palavras, vamos criando uma sociedade cada vez mais permissiva e violenta, na qual as pessoas tomam suas decisões sem levar em consideração as responsabilidades sociais", completa. Outro ponto debatido por ambos é a filosofia pregada pela sociedade atual sobre a liberdade como valor primeiro e a noção de que o importante é ser feliz a qualquer custo. "A sociedade foi se constituindo e formando gente com esse tipo de necessidade. Assim, estamos chegando a um ponto em que as pessoas fazem de tudo para conquistar o prazer: avançam o sinal, querem tomar o que acham que lhes faz falta e não aceitam limites", diz Martins Filho. Para Capelatto, o que predomina é a ideia do prazer, da erotização. "Isso é oferecido, exposto, proposto de forma sedutora. São inúmeras as drogas que trazem prazer, e a pessoa fica erotizada, libidinosa, taquicárdica, dopamínica, fica um ser extraterreno por um tempo". Para ele, a concepção do prazer é vendida de pessoa para pessoa, de propaganda em propaganda, assim como o corpo e a estética. "Existe certa resistência: algumas mães querem amamentar, querem ficar perto do filho, há aquelas que estão deixando o trabalho para ficar com a criança, tem gente que se preocupa. Mas o que está ganhando força é a ideia do hedonismo. E, embora não tenha se instalado como norma, informalmente ela se instalou assim: é a metáfora da descrença", esclarece.

Os autores destacam também o caso da terceirização do cuidado com a criança. Tanto Martins quanto Capelatto acreditam que a situação deve ser tratada com muita atenção, principalmente quando a babá ou outro "cuidador" começa a ser a referência materna da criança. Segundo os autores, é preciso que os pais passem um tempo de qualidade com os filhos.

.