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Desfiz 75 anos

Rubem Alves lança novo livro pela Papirus Editora


Um álbum de fotografias. É dessa forma que Rubem Alves define seu novo livro de crônicas, Desfiz 75 anos, lançado este mês pela Papirus Editora. "Imagine um álbum de fotografias. Cada foto vale por si mesma. Não é preciso que uma foto tenha relação com a que vem antes ou depois. Ela é um momento no tempo que a câmera fotográfica cristalizou. Quando o fotógrafo está com sua câmera em mãos, ele está em busca desses momentos fugazes que merecem ser eternizados. Assim são essas crônicas: fotografias de um momento, completas em si mesmas", diz Rubem.

O autor abre o livro com a crônica-título, "Desfiz 75 anos". O texto, que foi escrito por ele no dia do seu aniversário, provoca o leitor a pensar sobre a comemoração da "data querida" e termina descrevendo um ritual diferente praticado pelo escritor nesse dia: ao invés de apagar as velinhas, ele acende uma. Rubem Alves explica em sua crônica: "Uma vela que se apaga é um sol que se põe, disse Bachelard. E todo pôr de sol é triste... Uma vela que se apaga anuncia um crepúsculo. Por isso eu prefiro um ritual diferente, um ritual que é uma invocação. Eu acendo uma vela pedindo aos deuses que me deem muitos anos a mais de vida, esses anos que se seguirão, que são o único tempo que realmente possuo".

Desfiz 75 anos reúne mais de 50 crônicas de temas variados e sentimentos diversos. São textos divertidos, como "Orgasmos nasais", em que o autor fala sobre os espirros; tristes, como "Câncer"; e polêmicos, como "Eutanásia". Uma mistura de sensações bem ao estilo de Rubem Alves. Para ele, os textos curtos de suas crônicas podem despertar novos leitores. "Muita gente aprende o prazer da leitura lendo meus textos. Talvez porque eu escreva curto. Para uma pessoa que não está acostumada a ler, ter de ler um livro de 150 páginas é um sofrimento. Mas se o livro está cheio de aperitivos, pequenos textos de leitura leve, a leitura se torna prazerosa", diz. Com mais de 100 títulos já publicados, o autor garante que há muita motivação e inspiração ainda para escrever. "Em primeiro lugar, gosto de escrever. Escrever é brincar. Quando estou escrevendo, jamais calculo quantos leitores vou ter... Segundo, acredito que as pessoas podem aprender a gostar de ler lendo meus textos. E, terceiro, escrevo para conviver com a solidão...", pontua.

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