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Amor em texto, amor em contexto

Novo livro da Papirus 7 Mares conta com debate entre Moacyr Scliar e Ana Maria Machado


O que é o amor? Ele é único ou existem vários tipos? Qual a diferença entre o amor e a paixão? Essas perguntas atormentam muitas pessoas, não apenas estudiosos, mas também aqueles que buscam entender melhor esse sentimento tão simples e ao mesmo tempo tão complexo. Amor em texto, amor em contexto: Um diálogo entre escritores, da Papirus 7 Mares, traz um debate sobre o tema com dois grandes nomes da literatura nacional, membros da Academia Brasileira de Letras (ABL): Moacyr Scliar, ganhador do Jabuti de melhor romance em 2009, e Ana Maria Machado, vencedora do Hans Christian Andersen em 2000, prêmio mais importante do mundo em literatura infantil. A proposta da obra é simples: falar de amor.

"Temos como objetivo trazer uma conversa de dois romancistas brasileiros contemporâneos sobre questões ligadas à relação entre literatura, cultura e amor", explica Ana Maria Machado. Ao longo do livro, percebe-se a importância que a literatura tem quando se tenta explicar ou conceituar o amor. "O texto desempenha um papel importante que é o da educação sentimental. Muitos adolescentes foram aos livros em busca do autoentendimento, em busca de apoio para a ansiedade, da qual, muitas vezes, estavam tomados e até em busca de material imaginativo. Hoje não é mais assim porque o erotismo, a exibição erótica conta com filmes etc., mas houve uma época em que o livro era o único companheiro e refúgio", afirma Moacyr Scliar em um trecho da obra. No debate, os autores falam sobre a diferença entre o amor e a paixão e comparam os amores de ontem e hoje. Tudo isso atrelado aos textos literários, desde os antigos contos de fadas até os clássicos românticos como Romeu e Julieta.

"A noção de amor, tal como a temos, é uma construção cultural. O que é natural é desejo, instinto de preservação da espécie etc. Quando a gente começa a falar de amado e amada, de amantes, de sentimento amoroso, a coisa muda e entra uma construção cultural", observa Ana Maria Machado. "Ao longo do tempo, essas noções de amor foram mudando, como nos mostra a literatura. Houve o amor cortês (distante e idealizado, segundo códigos bem claros), o amor romântico e impossível, e vários outros modelos amorosos. Por outro lado, atualmente temos uma longevidade maior. Hoje estamos diante de uma situação paradoxal. A cultura ao mesmo tempo nos sugere o ideal de um amor-paixão, hollywoodiano, avassalador, e propõe que ele se associe ao casamento e dure para sempre - o que é paradoxal. Amor pode durar, mas paixão não", finaliza a escritora.

Os autores
Moacyr Scliar: Médico por formação, Scliar publicou mais de 70 livros entre crônicas, contos, ensaios, romances e literatura infantojuvenil. Em 2002, um de seus romances, Sonhos tropicais, foi adaptado para o cinema. Em 2003 foi eleito, por 35 dos 36 acadêmicos com direito a voto, para a cadeira n. 31 da Academia Brasileira de Letras, ocupada até então por Geraldo França de Lima. Em 2009, venceu o prêmio Jabuti de melhor romance pelo livro Manual da paixão solitária.

Ana Maria Machado: O reconhecimento mundial de suas obras aconteceu em 2000, quando recebeu o Hans Christian Andersen, o mais importante prêmio de literatura infantil. São 33 anos de carreira, mais de 100 livros publicados no Brasil e em cerca de 20 países, somando mais de 18 milhões de exemplares vendidos. Ela escreve para todos os públicos (adulto, infantil, infantojuvenil e juvenil). Em 2003, Ana Maria foi eleita para ocupar a cadeira n. 1 da Academia Brasileira de Letras, substituindo Evandro Lins e Silva.

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