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Cidades que andam

Você já ouviu falar em Mazagão? Trata-se de uma cidade que surgiu na África (mais exatamente no Marrocos), como colônia de Portugal. Após a invasão dos mouros, a coroa portuguesa fez com que todo o forte da cidade fosse evacuado, e a população e sua cultura foram transferidas para a sede do governo lusitano, para depois migrar definitivamente para o Brasil, graças a um projeto do marquês de Pombal. Assim como Mazagão, o Rio de Janeiro também passou por três grandes mudanças significativas em sua história. A análise das consequências dessas mudanças não apenas no Rio, mas também em outras cidades brasileiras, é feita na obra Capitais migrantes e poderes peregrinos: O caso do Rio de Janeiro, de Barbara Freitag, lançamento da Papirus Editora.

"Mazagão representou uma cidade migrante que passou por três continentes. Salvador e Rio também tiveram sua origem em Portugal, interagiram (pelo tráfico negreiro) com a África e consolidaram-se como cidades e capitais na costa atlântica do Brasil. A Mazagão brasileira, projeto do marquês de Pombal, fracassou. Porém, a capital do vice-reinado no Brasil (Rio) floresceu e transformou-se em metrópole do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves com a vinda da família real em 1808, e depois capital do Império e da República do Brasil", explica a autora.

O livro é o resultado de oito anos de pesquisa sobre formação das cidades no Brasil (registro urbanístico), focalizando a fundação das capitais Salvador, Rio, Brasília e a transferência de cidade de uma capital para outra, incluindo Lisboa. "Essas transferências envolveram pessoas entre força de trabalho (escravos e imigrantes), políticos e estadistas (registro político). Além disso, as mudanças de capitais envolveram a migração de populações inteiras que trouxeram suas línguas, costumes, religiões, comidas, utensílios e livros (registro cultural)", conta Barbara Freitag.

Dividida em nove capítulos, a obra abrange momentos que vão desde os primeiros contatos com a formação das cidades brasileiras (antes da chegada da família real em 1808) até a transferência da capital do país do Rio de Janeiro para Brasília. Os textos buscam resgatar as grandes conquistas do passado, entre as quais vale mencionar a independência política e econômica do Brasil em relação a Portugal e outras nações colonizadoras, e a superação da escravidão, humanizando um regime de trabalho e opressão altamente hierarquizado. Mas também alerta para os erros cometidos e para as batalhas que ainda precisam ser ganhas para consolidar na sociedade brasileira as estruturas básicas da democracia.

"O caso do Rio de Janeiro foi destacado dentro dessa ótica multidisciplinar e intertextual, pelo fato de a segunda capital brasileira ser síntese e caixa de ressonância de toda a história, desde o período colonial até a virada do século XX/XXI, refletindo muito bem as mazelas, contradições, mas também a capacidade do povo brasileiro de ‘dar a volta por cima’ e assumir, mais cedo ou mais tarde, o seu destino de uma grande nação", aponta Barbara.

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