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O olhar da antropologia sobre o turismo

A antropologia estuda o turismo não apenas como indústria, mas como fenômeno social em sua totalidade. Estuda as relações entre visitantes e visitados, os efeitos e as transformações da cultura de uns sobre outros e vice-versa. As pesquisas da antropologia sobre o turismo ainda são escassas. Pensando nisso, a Papirus Editora lança Turismo e antropologia: Novas abordagens, escrito por Nelson Graburn, Margarita Barretto, Carlos Alberto Steil, Rodrigo de Azeredo Grünewald e Rafael José dos Santos, com o que há de mais recente no assunto.

De acordo com Margarita Barretto, o livro é voltado para antropólogos, sociólogos, cientistas sociais e pesquisadores da área de turismo. "É interessante estudar antropologia no turismo para compreender os processos de hibridação cultural, ou seja, como cada cultura visitada reage de forma diferente aos visitantes em função da sua história, os intercâmbios e os diálogos estabelecidos. Com esses conhecimentos, é possível evitar choques culturais, promover o respeito às culturas visitadas e otimizar as boas experiências", explica.

Quatro dos textos escolhidos para compor essa obra foram apresentados na VII Reunião de Antropologia do Mercosul, em 2007, na cidade de Porto Alegre. "Nelson Graburn é o pesquisador mais antigo da área em nível mundial ainda em atividade. Carlos Steil e Rodrigo Grünewald são pesquisadores de altíssimo nível do Brasil e eu fui a criadora dos grupos de trabalho (GTs) dedicados ao turismo nas reuniões de antropologia, tanto na Reunião Brasileira de Antropologia (RBA) quanto na Reunião de Antropologia do Mercosul (RAM)", enumera Margarita Barretto.

O livro possui cinco capítulos que trazem vários desdobramentos do tema: estudos antropológicos sobre turismo no Brasil, peregrinação e turismo religioso, indigenismo, mobilização étnica e hibridação cultural. "Entendo que os capítulos foram escolhidos de forma que nenhum deles tenha destaque sobre os outros, mas se devemos dar um destaque é para o artigo de Graburn, porque marca uma trajetória. Traz um histórico dos estudos de antropologia focados no turismo desde as suas origens, realizado por uma autoridade mundial no assunto", diz Margarita.

A autora também explica a questão do indigenismo e turismo religioso abordada na obra. "O texto trata das experiências de turismo indígena, seu marco histórico e sua fundamentação teórica. O turismo religioso é um fenômeno crescente no mundo inteiro, e é interessante estudá-lo à luz dos paradigmas de hibridação cultural e dialogismo, porque cada vez mais a experiência religiosa (peregrinação) e a lúdica (turismo) se misturam, o sagrado e o profano dialogam, sendo mais difícil estabelecer as fronteiras", completa.

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