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Os meninos multimídia do Brasil

As crianças e os adolescentes de hoje são multimídia. Ao mesmo tempo em que conversam em salas de bate-papo na internet, assistem à televisão, ouvem rádio e leem revistas. As implicações dessa relação do jovem com as mídias e seu reflexo nas aprendizagens é o tema dos dois ensaios presentes na obra Crianças e mídias no Brasil: Cenários de mudança, de Maria Luiza Belloni, lançamento da Papirus Editora.

O livro é composto de relatos de pesquisa e se dirige a estudantes e professores universitários das áreas de ciências humanas e educação, a professores e educadores em exercício nas redes de ensino e a pessoas interessadas em questões relativas à infância e às mídias."Nessa obra tenho como objetivo contribuir para que as crianças e os adolescentes brasileiros sejam mais bem conhecidos e para que sejam respeitados seus direitos a educação e comunicação de qualidade", explica a autora.

De acordo com Maria Luiza, é grande a influência das mídias nos valores e nas opiniões da geração atual. "As mídias atuam no processo de socialização de crianças e adolescentes, influenciando não apenas a formação de valores e opiniões, mas também o desenvolvimento cognitivo, criando novos modos de perceber e de aprender que a escola ignora e não considera em sua atuação, gerando incomunicação ou incompreensão significativa entre a instituição escolar e as novas gerações que ela deve formar", enumera.

O estudo é focado em crianças brasileiras, que possuem uma relação diferente com as tecnologias de informação e comunicação (TICs). "As crianças brasileiras em geral sofrem maior influência das mídias do que as crianças europeias, por exemplo, principalmente porque, sendo a escola brasileira uma escola de meio turno, elas têm mais horas de exposição às mídias. A média de horas de exposição à televisão, por exemplo, é bem maior no Brasil (entre três e quatro horas diárias, dependendo da classe social) do que nos países europeus (até duas horas diárias, dependendo da classe social)", exemplifica.

O livro está dividido em dois ensaios. O primeiro, "Infância e mídias no Brasil: Desigualdades determinantes", apresenta uma análise pessoal e "impressionista" da situação da infância no Brasil, com ênfase nas desigualdades sociais que atingem crianças e adolescentes, inclusive em relação às mídias; o segundo, "Relatos de pesquisa: Desigualdades e aprendizagens", apresenta resultados e análises das últimas pesquisas empíricas realizadas com a equipe do grupo de pesquisa Comunic, no Laboratório de Novas Tecnologias (Lantec) do Centro de Educação da UFSC.

"Nossas pesquisas buscam mostrar o grande potencial das mídias como ferramentas pedagógicas para o professor e de aprendizagem para os alunos: crianças e adolescentes desenvolvem aprendizagens significativas e novos modos de aprender com as mídias, e é preciso que os professores aprendam a utilizá-las como ferramentas pedagógicas, para adequar suas práticas às novas características de seus alunos e diminuir os descompassos entre a escola e os mundos sociais e culturais da infância e da adolescência", finaliza Maria Luiza.

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