Pesquisa
Acesso
Login:
Senha:

Newsletter

SUBIR A MONTANHA OU JOGAR VIDEOGAME?

Em que medida a atual sociedade produz pessoas desajustadas corporalmente, obesas, inativas, anestesiadas e, portanto, numa desarmonia básica com o mundo? Como está a educação corporal e sinestésica (dos sentidos) das crianças modernas, em comparação à infância de 30 anos atrás? Esses são os questionamentos que o educador João-Francisco Duarte Jr. busca responder no lançamento da Papirus Editora, A montanha e o videogame: Escritos sobre educação.

A obra, voltada para quem trabalha com educação (especialmente professores ligados à arte), filósofos, sociólogos, psicólogos e pais, tem como objetivo principal pensar a educação como um fenômeno amplo que ocorre continuamente em nossa vida, "ressaltando que o fundamento de todo aprendizado situa-se em nosso corpo e nas relações (sociais) que ele estabelece com o mundo", completa Duarte Jr.

Segundo o autor, o nome curioso do livro veio de uma reflexão sobre uma experiência vivida por ele durante uma atividade de montanhismo. "Percebi que os jovens tinham extrema dificuldade física para percorrer as mesmas trilhas que eu, bem mais velho. Isso me remeteu a dois tipos de infância (a minha e a deles) e às distintas educações corporais que nela tivemos: uma infância ativa, centrada no corpo, que corria, brincava, subia em árvores, jogava futebol etc. e outra passada em shopping centers e em frente a telas de televisão e de videogames", conta.

De acordo com o educador, "o que une os textos é a reflexão sobre a educação na sociedade contemporânea, dentro e fora da escola, tomando sempre por base as relações sensíveis (estéticas) que mantemos com a realidade".

Toda a obra, aliás, foi escrita como se fosse um bate-papo do autor com o leitor, em primeira pessoa. "Especialmente num trabalho de cunho filosófico, a presença do autor como pessoa concreta e real me parece fundamental, sobretudo por ela ser honesta para com o leitor", explica Duarte Jr.

Entre as partes do livro, o autor destaca o último capítulo, chamado "The rotten papers (ou: Adiós que yo me voy)". "Ele consiste numa crítica aos atuais rumos que a universidade vem tomando, ao submeter seus docentes a uma massacrante linha de montagem de produção de artigos, a maioria dos quais ninguém lê, além de que grande parte deles não acrescenta nada ao conhecimento. De certa forma, esse texto consiste na minha despedida do meio acadêmico, um adeus com boa dose de ironia crítica. E é preciso constatar hoje que, assim como eu, muitos estão se retirando para conseguir a paz e a tranquilidade necessárias para um trabalho de reflexão e criação mais lento e aprofundado, coisa que vem se tornando impossível de realizar com o mínimo de saúde e confiança no interior das nossas instituições universitárias", conclui.

.