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Para não taxá-los de "aborrescentes"

Livro organizado por Marilda Lipp traz orientações sobre como lidar
com a fase mais temida pelos pais: a adolescência


"Mãe, me deixa uma quadra antes da festa? Não quero que meus amigos me vejam chegando de carona com você." Para muitos pais, essa frase dita pelo filho adolescente é quase tão difícil de entender quanto tudo o que se passa na cabeça (e no corpo!) dos jovens durante essa fase da vida. Então, que tal saber o que deve ser feito nesses momentos, recebendo informações e dicas de profissionais experientes? Essa é a proposta da psicóloga Marilda Lipp ao organizar a obra O adolescente e seus dilemas: Orientação para pais e educadores, lançamento da Papirus Editora.

Segundo Marilda, a primeira ideia a ser desmitificada é que os problemas da adolescência são regidos apenas pelos hormônios. "Eles contribuem para uma certa inquietação e instabilidade, porém, há muitos fatores ambientais (influência da sociedade/amigos), familiares (pressões relativas a namoro, comportamento, vestibular) e emocionais (medo, frustração) que contribuem para que esse estágio seja difícil para algumas famílias", aponta.

Para a organizadora, muitos fatores culminaram na publicação da obra, sendo o principal deles o crescente conflito vivido por pais e professores na hora de lidar com os adolescentes e educá-los. "Em primeiro lugar, a sensação de responsabilidade de moldar um filho ou aluno, de guiá-lo, de garantir que ele não enverede pelo caminho das drogas é algo que assusta muito, pois há sempre a dúvida sobre se o adulto responsável terá a competência necessária para impor limites. Quanto mais inseguro o adulto é, mais ele teme a adolescência do filho ou do aluno. Além disso, as mudanças que ocorrem no jovem, em termos não só físicos, mas também emocionais e mentais, assustam um pouco a quem tem que lidar com ele", expõe Marilda.

E se essa já é uma fase difícil para pais e professores, imagine para os adolescentes, que têm de lidar diariamente com o stress da escolha da profissão, da faculdade, dos amores, do estilo, da aparência (como se vestir etc.). E ainda há escolhas de valores: o jovem deve rejeitar os princípios familiares ou adotar os dos colegas? Deve namorar uma pessoa só ou "ficar" com várias? Deve experimentar drogas, fumar, beber? "Quem sou eu e quem devo ser?", ele se questiona. Esses são apenas alguns dos tópicos abordados no livro, que também traz assuntos como bullying, obesidade, anorexia e bulimia.

"Hoje o adolescente é mais livre de responsabilidades impostas pela sociedade no geral. Não há mais um papel definido que ele, ao atingir a adolescência, saiba que vai adotar. A falta de limites por parte dos pais e da escola pode gerar angústia. O adolescente muitas vezes não tem referencial dado pelos adultos, que muito permitem. Por isso, hoje ele precisa, mais do que no passado, saber escolher seu destino", finaliza a organizadora.

A escolha e a seleção dos textos foram baseadas em experiência clínica, no contato com muitos adolescentes e pais em consultórios e palestras e em respostas a perguntas feitas via internet.

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