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ALUNOS DESINTERESSADOS: A CULPA NÃO É DO PROFESSOR

Recentememte, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, a professora Amanda Gurgel fez um discurso realista e apaixonado sobre a vida dos professores. A fala da docente, amplamente divulgada em vídeo na internet, traz à tona uma constatação preocupante: o ambiente em que os alunos (principalmente os de escolas públicas) vivem mergulhados durante vinte horas do seu dia não é, de forma alguma, propício à educação formal. Mais que isso, os indivíduos percebem que, para viver em tal ambiente, aquele tipo de educação não é necessário. Essa também é a constatação do educador César Augusto Alves da Silva no lançamento da Papirus Editora Além dos muros da escola: As causas do desinteresse, da indisciplina e da violência dos alunos.

"O livro tem como objetivo demonstrar a toda a sociedade que o problema atual da acentuada aversão do público escolar pela cultura letrada, isto é, pela educação formal, advém da própria organização social em seu conjunto, e não de erros metodológicos dos docentes ou da falta de formação destes, como é equivocadamente difundido pelos formadores de opinião e até por teóricos da educação. A formação do indivíduo, isto é, sua educação, não se resume à sala de aula, ao intramuros da escola, ela já se inicia na barriga da mãe", explica Silva.

Segundo o autor, os alunos estão desinteressados pela educação formal porque a sociedade em que vivem está configurada por uma relação entre forma e conteúdo totalmente diferente daquela necessária para preparar e estimular a interação com a cultura letrada e o conhecimento científico. "Vemos nas escolas públicas jovens que não se interessam nem ao menos por alfabetizar-se, mas que portam inúmeros símbolos materiais que os fazem sentir-se inseridos em seu meio, isto é, como alguém que tem namorada, amigos, que é invejado, imitado", diz.

A análise do contexto do desinteresse pela educação escolar feita pelo autor tem como base as ideias de Edgar Morin ("uma das finalidades da educação é permitir a cada um ter consciência de sua condição humana"); Max Horkheimer ("este mundo não é o deles [sujeitos do comportamento crítico, isto é, seres humanos - explica Silva], mas sim o mundo do capital"); Herbert Marcuse e Max Weber ("a satisfação das necessidades é muito mais um produto lateral, de acompanhamento, do que um fim do agir econômico capitalista - um produto de acompanhamento subordinado ao lucro").

Em tempo: sobre o vídeo com o discurso da professora Amanda Gurgel citado no primeiro parágrafo, Silva diz que as palavras proferidas pela educadora demonstram a terrível situação dos professores no país. Para ele, a parte mais interessante é quando ela afirma que não pode ser a redentora do país apenas com um giz e uma lousa. "A educação não existe apenas na sala de aula e resolver os problemas de escolarização desse povo vai demandar muito mais que apenas escola", finaliza.

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