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NOV/2009 - Entrevista com DR. MARTINS FILHO na revista PAIS&FILHOS

trocando experiência - José Martins Filho

por Larissa Purvinni, mãe de Carol, Duda e Babi


"Se a felicidade depende de um período, esse período é o primeiro ano de vida. Se depende de uma pessoa, essa pessoa é a mãe." A frase, do psicanalista Donald Winnicott (1896-1971), resume o espírito da conversa que tivemos com o pediatra José Martins Filho, pai de Fábio e Graziela. Ele acaba de lançar um novo livro, em que fala de como as crianças andam sem pais, tragados pela correria, sem apoio da sociedade pra exercer o que deveria ser a função mais importante: cuidar dos filhos. O título da obra é otimista: Cuidado, Afeto e Limites: Uma Combinação Possível. A gente espera que seja mesmo.

Como pediatra, você se decepcionou com o resultado da batalha pela licença-maternidade de seis meses?
A gente esperava que o presidente conseguisse vencer a resistência da área econômica. Não se avaliou que, quando a mãe pode ficar mais tempo com o filho, ele fica menos doente, a mãe, menos ansiosa, trabalha mais tranquila. Mas há grupos que acham que afeta a chance de as mulheres trabalharem.

Tem esse lado das mulheres também.
E elas têm razão. Mas há países, como os nórdicos, em que são dois anos. No primeiro, fica a mãe; a partir daí, pode trocar com o pai. É uma utopia que a gente vai ter de lutar muito para conquistar.

Você acha que a mulher deveria deixar de trabalhar para cuidar do filho?
Não prego que a mulher largue o emprego. Isso, pra quem quiser, é maravilhoso. O problema é poder. O que a gente fala é “preste atenção”, priorize a relação com as crianças. Hoje a mulher levanta às 6h, sai de casa, não volta pra almoçar, chega em casa às 19h, 20h, quando os filhos já estão dormindo. As crianças ficam sendo delegadas a babás, às vezes ótimas, às vezes horríveis.

Como é a boa babá?
É aquela que se apaixona pela criança. Um vínculo forte, porque substitui a mãe. Algumas mulheres entram em parafuso quando percebem, se sentem culpadas. Aí demitem a babá.

E como fazemos para mudar isso?
O ideal mesmo é que as pessoas estejam preparadas para entender que, quando vier um filho, a vida muda. Sou pediatra há 40 anos. No começo, via mulheres que davam à luz na casa dos 20 e poucos anos; hoje deixam a gravidez para depois dos 35 anos. E outra coisa: cada vez mais casais optam por não ter filhos. Começamos adiando o momento de ter filhos e, depois, estamos nos negando a tê-los. Isso gera uma questão social muito importante, porque a maior parte das crianças é do segmento mais carente, que precisa muito mais de assistência, e isso tem um custo social.

Que também seria menor se a gente deixasse a mãe mais tempo com a criança...
Hoje vejo famílias com um filho, no máximo dois. Com dois, as famílias já estão assustadas, porque o custo é alto. A mulher está se transformando em provedora, muitas vezes ela ganha mais que o marido. As profissionais liberais, dentistas, advogadas, voltam a trabalhar um mês e meio após o parto.

Clique aqui e leia a íntegra da entrevista do Dr. José Martins Filho.
Fonte: revista Pais&Filhos


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